sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Coração galopante


Meu coração galopante
Vai a trotes largos
Buscar sonhos que nunca sonhei

Busca um instante
Cavalgando em sonos letargos
Por lugares onde nunca andei

E se vir a se perder derradeiramente
Caminhando a trotes cansados e amargos
Terei encontrado a terra que nunca busquei

Então em confronto adiante,
Na terra nova, o coração e sonho análogos
A armadura rota e a espada que empunhei

E nessa sangrenta luta lancinante
Fica o grande e triste epílogo
Dois derrotados quando, para as trevas, acordei.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Nostalgia da infância


Sinto saudades de quando era inocente e puro
De quando brincava, corria e caia de maduro
Quando corria com os amigos pela escola
E brincávamos de bafo, queimada ou de bola
Quando passava férias com meus avós
E o tempo passava mais que veloz
Dos grandes sonhos maravilhosos e belos
Como lindas borboletas em jardins etéreos
E dos namorinhos bobos de criança
E de cada dia ser como uma alegre dança

Uma dança de ciranda
Que diminuía o ritmo
A cada ano
E hoje já não danço mais
Sou um adulto e minha alegre dança
Deu lugar aos monótonos passos
Do cotidiano!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O fruto proibido


Fruto proibido de um amor banal
Um amor carnal
Um amor espiritual
Um amor transcendental
Amor entre anjos e demônios
Amor entre inimigos mortais
Fruto do ódio e da guerra
Fruto do desespero e da esperança
Da grande trégua trânsfuga
Entre céu e inferno
Entre esses anjos e demônios
Entre Deus e Diabo
E ao fim de todo esse espetáculo ao avesso
E ao fim desse maniqueísmo
Você poderá dizer finalmente:
Sou filho de quem sou
Não sou nem anjo e nem demônio
Sou eu um ser humano!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um pouco de humor: Aline - Adão Iturrusgarai


Fonte: http://www.lpm.com.br/livros/layout_capitulo2.asp?LivroID=711472

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sentimentos de mim



Sentimentos de mim

Brotam
Crescem
Se espalham

Tomam forma de letras
Enchem o papel
Mostram quem sou por dentro
Mostram quem não sou por fora
Compartilham o que sinto com quem as lê
Coletivizam meus sentimentos
E materializam minha alma.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Agradecimento

Gostaria de usar essa postagem para agradecer ao meu amigo João Paulo Hergesel (ou simplesmente JP), que acredita em meu potencial e ajuda a divulgar minha poesia. E para agradecê-lo vou colocar dois dos seus maravilhosos poemas (é difícil, pois todos são muito bons, mas consegui escolher).

Cara poesia escondida aqui dentro,
Vem, minha amada, preciso de ti,
Tenho que desabafar emoções.
Vem, pois a prosa me faz reprimir
Meus sentimentos e minhas paixões.

Sei que nós dois não nos damos tão bem.
Foges de mim na leitura e na escrita,
Fazes de ingênua, que te abandonei.
Só abandonei na verdade a bonita e
Forte feição de pessoa erudita.

Mas finalmente chegou o momento
De redimir-me e pedir-te perdão,
Cara poesia escondida aqui dentro...

Peço somente: atendas-me; limpes
Meus torturantes bloqueios de nervo.
Como não gostas de cartas tão simples,
Em decassílabo, então, eu te escrevo.

Eu descarrilado (vencedor do Concurso Literário da Uniso de 2010)

o que mais quero
é um trem de ferro

para
carregá-lo com o rancor
que meu ego inflamado alimenta
pilotá-lo a todo vapor
soltando fumaça pelas ventas
disparar o apito que
ocultará os meus gritos
desesperados
e acelerar com vontade
sem limite de velocidade
pelas trilhas dos meus sentimentos
aprisionados
atropelando plantios de trigo
massacrando qualquer inimigo
causando torturante sofrimento
sem parar no fim da linha
destinando ao precipício
de mim mesmo

reconsidero se
o que mais quero
é um trem de ferro

porque
felicidade deriva da dor
mas não a dor proposital
e sim a provocada por
espontaneidade
então precisa ser controlada
com carícias na alma
com dulcificação
driblando o lado ruim
fazendo o peito inflar
e depois esvaziar
como uma gaita de fole

o que mais quero
é um trem de maria-mole

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PoetAvulso: Mario Quintana



Mario por ele mesmo

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

(Texto escrito pelo poeta para a revista IstoÉ de 14/11/1984)

Os poemas 

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

(Esconderijos do Tempo)

Fonte: http://www.estado.rs.gov.br/marioquintana/index.php

Soneto de Amor

Poema publicado no Jornal de Alumínio e um dos vencedores do Prêmio Jornal de Alumínio 2010.

Soneto de amor

Primeiro começa com um olhar de ternura
Depois vêm as cartinhas com poeminhas
E chega um momento de amargura,
Se tua amada teu amor correspondido tinhas

E chega o grande momento da verdade
Você quer ser minha namorada? Sim,
Essa é a resposta e tu és pura vaidade
Fica vermelho e dá um beijinho assim

Depois de pegar uns bons cineminhas
E de dar algumas gostosas escapadinhas
O que é inocente amor vira ardente paixão

Ela de branco e tu de gravata e terno
E então o que era dois acaba por virar um
E tu descobres a matemática do amor eterno!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Estreia

Olá! Para estrear o blog vai um poema de ano novo. Eu sei que já estamos no segundo mês de 2011, mas ainda está no começo e para o brasileiro o ano só começa mesmo depois do carnaval então...

Ano Novo

    Ano Novo
      Vida nova
      Tudo de novo

Corrupção de novo
Fome de novo
Miséria de novo
Seca de novo
Tráfego de novo
Tráfico de novo
Violência de novo
Catástrofes de novo

     Ano Novo
     Vida nova
     E tudo de novo...