Conviver em família nem sempre é
como se vê nos comerciais de margarina. Para dizer a verdade, quase nunca.
Conviver em família é padecer no
paraíso das relações humanas. Ninguém escolhe a família em que está,
simplesmente você nasce e a partir daí seja o que Deus quiser. Se você é filho
único, sempre será mimado pelos pais e isso com certeza irá prejudicar sua
relação com as outras pessoas, que nem sempre serão tão pacientes e aceitarão
todas as suas peculiaridades como seus progenitores.
Além disso, há os conflitos com os
pais, pois nosso estilo de roupa, corte de cabelo, preferências musicais, time
de futebol, amigos e namoradas ou namorados nunca estão de acordo com o que
eles querem. Parece que é mais difícil ganhar total aprovação dos pais do que
passar em medicina na USP.
Todo adolescente já pensou em sair
de casa, nem que tenha sido apenas por ter visto a cena num filme ou numa
novela e tenha achado um ato “cool” de rebeldia. É da natureza do jovem querer
sair de casa para não ter que aguentar as broncas e exigências dos pais. “Vai
arrumar o quarto”, “vá para a escola”, “faça o dever de casa”, vá pro seu
quarto”, “saia do quarto, passa muito tempo aí, menino”, “não gosto dos seus
amigos”, “você tem que ser alguém na vida, trabalhar para ganhar muito
dinheiro”. Não há adolescente que aguente mesmo.
É claro que nem sempre a
convivência é ruim, ou então teríamos muito mais incidência de filhos
deserdados do que de divórcios. Todos no fundo sabemos que por mais difícil que
seja a vida com pais e irmãos, são eles os primeiros a nos apoiar nas
dificuldades, os primeiros a incentivar-nos nas maratonas do dia a dia, aqueles
que sempre vão nos amar apesar de tudo.
E apesar de tudo, eu agradeço aos
meus pais por terem dado seu melhor, mesmo errando em muitos momentos, para que
eu fosse uma pessoa, não exatamente como eles queriam ou uma pessoa perfeita,
mas exatamente a melhor pessoa que eles poderiam fazer eu me tornar.


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