Você sussurra ventos em meus ouvidos e cada palavra chega
como poemas que nunca escreverei. Na
distância dos corpos nossas almas se unem, a cada noite ainda escuto a sua voz
abrindo lassitudes em meu peito cansado de ser casca vazia. A cada
ressurgimento da aurora desvanecem nossas memórias como numa película frágil
que se desfaz num simples tocar com a ponta dos dedos. Depois disso, seus toques, seus trejeitos,
suas falas, seus gestos, seus carinhos e afagos se perdem novamente nas mãos do
tempo que como borracha tudo apaga. Apenas quando novamente crio raízes em meu
leito é que tu voltas a habitar meus pensamentos e em meus sonhos tu encontras
morada. No chão da solidão é que construí nossa moradia e lá nosso amor ainda
está intacto, puro e poderá descansar na cadeira de balanço da eternidade.


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